27/02/2012 @ 23:20
com 27 notes
“com 27 notes
Cerquei-me. Peguei tudo que me pertencia, isolei-me. Chovi dentro de mim mesmo, todos os dias, só para manter o meu sentir submerso. E então você chegou, senhora dos mares; e me fazias enrubescer por ser apenas um rio estreito. Eu era cristalino enquanto tu guardavas em si o segredo de toda uma vida.
“Se eu sou mar, você há de desaguar em mim”, disseste uma vez. Eu duvidei.
Observava-te, em espreita. E só eu sei como queria misturar-me a ti. Ser teu corpo, me afogar em tua alma, quebrar junto com suas ondas. Mas eu não o podia. E te quis tanto, tanto, tanto que… Abarrotei-me do meu eu. O rio que já fora raso, agora não só atinge as margens, mas transborda; e inunda todo o descampado. Sou água turva e, ainda assim, você me abriu os braços.
Logo eu, que havia jurado nunca desaguar no mar… — Lilian Alves (via iniludivel)
“Se eu sou mar, você há de desaguar em mim”, disseste uma vez. Eu duvidei.
Observava-te, em espreita. E só eu sei como queria misturar-me a ti. Ser teu corpo, me afogar em tua alma, quebrar junto com suas ondas. Mas eu não o podia. E te quis tanto, tanto, tanto que… Abarrotei-me do meu eu. O rio que já fora raso, agora não só atinge as margens, mas transborda; e inunda todo o descampado. Sou água turva e, ainda assim, você me abriu os braços.
Logo eu, que havia jurado nunca desaguar no mar… — Lilian Alves (via iniludivel)


